Revolução informacional; Conceitos de uma nova era *

Postado em Uncategorized em Agosto 5, 2009 por limax1

* Postado por Vitor Hugo Baqueta
tecnologia1Os meios de comunicação, enquanto organizadores políticos dos fatos, podem ser considerados como precursores da globalização e da revolução informacional e, conseqüentemente, de todas as distorções que vieram acopladas a estes novos processos de ordem mundial. A questão agora é tentar compreender as causas e minimizar os impactos que surgiram junto com esta nova ideologia neoliberal, onde tudo e todos estão interligados.

Por outro lado, o surgimento da cultura cibernética nos trouxe liberdade em vários aspectos. Liberdade de poder escolher ao que assistir, ler, ver, ouvir, enfim, liberdade para selecionar e filtrar àquilo que interessa a cada pessoa, dotada de crítica e razão. E as possibilidades neste caso são quase que infinitas, se considerarmos a quantidade de material que vemos produzido na rede. Isso sem falar em uma das características mais marcantes da rede, a de que qualquer indivíduo também pode ser responsável pela sua própria produção cultural ou artística.

Análise de uma mídia globalizada

O cenário global atual, inchado pelas novas tecnologias de informação e de comunicação, apresenta certas particularidades que nos permitem entender os desdobramentos que esses fenômenos trouxeram consigo nas áreas de cultura e de sociedade. Em “A galáxia da Internet”, Manuel Castells traz reflexões sobre como o surgimento – e sua popularização – da World Wide Web afetou o modelo econômico dominante e a sociedade.

Para ele “os sistemas tecnológicos são socialmente produzidos. A produção social é estruturada culturalmente. E a Internet não é exceção. A cultura dos produtores da Internet moldou o meio…Embora explícita, a cultura é uma construção coletiva que transcende preferências individuais, ao mesmo tempo que influencia as práticas das pessoas no seu âmbito (CASTELLS, Manuel. A galáxia da Internet, capítulo 2, p. 34)”.

Castells também destaca uma divisão sobre as camadas culturais na qual estão alicerçadas a Internet. São elas; Tecnomeritocrática, Hacker, Comunitária Virtual e Empresarial. Cada uma com suas particularidades e interligando o papel da rede. Mas afinal como o surgimento da Internet mudou e moldou o padrão de vida da sociedade (e da mídia), seja no âmbito econômico, político, pessoal, social, entre tantos outros?

A Era Virtual; um novo conceito de mídia e de sociedade

O surgimento da rede mundial de computadores reformulou o conceito de mídia. Após a internet, todas as mídias tiveram que remodelar-se. Foi o caso da tevê que teve de buscar novas formas de divulgação das informações, trazendo embutido consigo o conceito do espetáculo e da encenação, ou como preferem alguns teóricos da área, o do simulacro. Os próprios jornais impressos se viram obrigados a entrar no jogo, com suas páginas da rede atualizadas a cada minuto e novos projetos gráficos que satisfaçam os desejos dos leitores do século 21.

Diante disso, um novo fenômeno também surgiu, sendo classificado por Zygmunt Bauman como “Modernidade Líquida”, onde os acontecimentos, mesmo que separados por fusos horários, longas distâncias e questões de natureza geopolíticas, se tornaram universais.

“O mundo de agora valoriza a instantaneidade do software, que delineia uma ‘modernidade líquida’, em que prevalecem a leveza, a flexibilidade e o mínimo de estruturas. Os bens, em termos físicos, pesam cada vez menos, mas valem cada vez mais em termos simbólicos, sobretudo quando geram conhecimentos e inovações”, já dizia o sociológo polonês, cunhador do termo.

Outra proposição bem aceita entre os teóricos do novo modelo de comunicação global, refere-se à onipresença da mídia. Para o sociólogo Octávio Ianni, a mídia pode ser chamada hoje de ‘Príncipe Eletrônico’, numa alusão aos livros de Maquiavel e Gramsci. Para Ianni, é ela quem registra os fatos e interpreta, seleciona, pauta seu noticiário e enfatiza, esquece e sataniza. A mídia tudo vê, está em toda parte e tudo sabe. Mesmo que nem tudo seja noticiado em razão dos mais diversos – e, muitas vezes, obscuros – motivos. A mídia atual é onipresente, ou seja, está em toda parte.

A nova era digital possibilitou também, e sem dúvida alguma esse foi um de seus feitos maiores, a instantaneidade da veiculação das informações. Notícias são transmitidas em tempo real, com a possibilidade ainda de texto, vídeos, imagens, links com informações referentes àquele acontecimento, sendo transmitidos de modo global. É o chamado conceito do ‘hipertexto’, que mudou nossa forma de ler e de escrever. Esses são apenas alguns dos aspectos que ganharam vida com o surgimento da internet.

Até mesmo as relações humanas alteraram-se. Hoje estamos diariamente conectados com amigos e conhecidos dos mais distantes lugares. Podemos falar, ver, ler e até ouvir. Falta apenas o contato corporal. Se quisermos, podemos até criar um avatar e ter uma vida virtual. Fazemos parte de comunidades, grupos de discussões com afinidades em comum, entre inúmeros outros exemplos. As consequências geradas por meio desse novo fenômeno começam a ser sentidas. É a chamada vida on-line, o grande ‘vício’ do século 21.

“A cultura da Internet é uma cultura feita de uma crença tecnocrática no progresso dos seres humanos através da tecnologia, levado a cabo por comunidades de hackers, que prosperam na criatividade tecnológica livre e aberta, incrustada em redes virtuais que pretendem reinventar a sociedade, e materializada por empresários movidos a dinheiro nas engrenagens da nova economia (CASTELLS, Manuel. A galáxia da Internet, p. 53)”.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CASTELLS, Manuel. A galáxia da Internet. Editora Jorge Zahar.

ZYGMUNT, Bauman. Modernidade Líquida. Editora Jorge Zahar.

WIKIPEDIA. Jünger Habermas. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Jürgen_Habermas. Acesso em 07 de julho de 2009.

OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA. Caio Túlio Costa. “O jornalismo não será o ator principal”. Disponível em http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=351IPB012. Acesso em 05 de julho de 2009.

SIMULACRO E INCLUSÃO SOCIAL. Gisele Gallichio. Disponível em http://www.educacaoonline.pro.br/index.php?option=com_content&view=article&id=78:simulacro-e-inclusao-social&catid=6:educacao-inclusiva&Itemid=17 . Acesso em 07 de julho de 2009.

Cultura Livre

Postado em Uncategorized com as tags , , em Agosto 4, 2009 por Vinicius Dalvi

A prática colaborativa, tão descriminada pela indústria cultural, tem apontado novos desdobramentos para as manifestações culturais da sociedade contemporânea. Novos valores estão sendo incorporados às práticas sóciais, como o altruísmo.

O altruísmo é um valor que, de fato, não é novidade. Desde as comunidades primatas, quando o homem ainda peregrinava em bando em busca de comida e abrigo, era necessário que todos do grupo colaborassem. Por exemplo, se um conseguisse sucesso na caça, ele compartilhava aquela refeição com todos; pois, no dia seguinte ele poderia não ser bem sucedido na sua busca por alimento, no entanto, também participaria da partilha feita por outro membro do grupo – no qual que teve melhor resultado.

De fato, o altruísmo não tem a mesma definição de colaborativismo, mas é uma recombinação desse elemento com outros valores. No mundo colaborativo, o que importa é reputação entre os pares – como no caso daqueles indivíduos da pré-história. O motivo de hoje para a colaboração é para que o elo não se perca. A função de cada internauta na colaboração é que dá sentido a um movimento cultural na internet, movimento que não tem líderes, mas com a participação de milhares de anônimos ou de pseudônimos.

No meio do compartilhamento há os empecilhos de uma mentalidade construída no período industrial, no qual, logo após o feudalismo, começou-se a se apropriar dos bens, mesmo que intangíveis.

Mas esses elementos vão de contramão com a realidade dos usuários da web, no qual eles não pretendem possuir tais bens, mas fazer o uso justo de tais informações. O modelo de negocio criado para os bens de consumo, não há maneira de se aplicar nos bens intangíveis.

“Essas escolhas estabelecem uma gama de liberdades que vai alem do padrão da legislação de copyright. Elas também permitem liberdades que vão além do uso legitimo tradicional. E, principalmente, expressam tais liberdades de forma que os usuários subseqüentes possam utilizar e se basear nas obras sem a necessidade de contratar um advogado. A licença Creative Commons, portanto, pretende construir uma camada regulada por uma camada plausível de legislação do coryright, na qual outros possam se basear. A escolha voluntária de indivíduos e criadores tornarão o conteúdo disponível. E esse domínio nos permitira reconstruir um domínio público.” (LESSIG, LAWRENCE. 2004)

Com a consolidação de traços culturais tão importantes para a sociedade, como é a cultura livre de informações, a tecnologia poderá ser a mediadora dessas informações. O ciberespaço aloca e transfere informações entre pares que possibilita a facilidade do acesso a tais conteúdos.

What are you doing?

Postado em Uncategorized em Agosto 4, 2009 por Valéria Batista

Por Valéria Batista

2355-1Eu, neste momento, estou escrevendo este post, e você? Para compartilhar com todos os seus amigos o que está fazendo agora, você pode usar o serviço de microblog chamado Twitter, que traz como slogan: “What are you doing?”. Nele, você pode postar informações produzidas em tempo real.

Mas não se acanhe se você ainda não tem um Twitter para chamar de seu ou se nunca ouviu falar sobre.  Apesar de ter atingido a marca de um milhão de usuários só no Brasil (de acordo com Ibope/NetRatings), muita gente ainda não o conhece. Trata-se de um site que permite a publicação de mensagens curtas, de no máximo 140 caracteres (contando os espaços).

No geral, usar a ferramenta é fácil.  Depois se de cadastrar (veja um tutorial aqui ou aqui),  a única coisa que você tem a fazer é escrever uma mensagem que diz o que você está fazendo,  algo que você está vendo (ou lendo), algo que você quer fazer, o que você quer que os outros vejam (como links para sites e vídeos), aquilo que você acredita ser relevante para as pessoas que vão ler ou, simplesmente, o que você está a fim.

Novo canal de comunicação

O tema foi capa da revista Time, que afirma que o Twitter vai mudar o nosso jeito de viver.  ”À medida em que o Twitter crescer, vai se tornar cada vez mais um espaço onde as empresas construirão marcas, farão pesquisas, mandarão informações aos clientes, farão vendas e criarão comunidades para seus usuários. Alguns setores, como o varejo local, poderão ser transformados pelo Twitter” – sugere a matéria. Para a Time, o que há de mais interessante a respeito desta plataforma é que os usuários estão utilizando o sistema para fazer coisas com as quais os seus criadores nunca sonharam.

Além de um novo canal de comunicação, o Twitter pode ajudar no contato com clientes e na divulgação de marcas de empresas. Uma matéria no Diário de Pernambuco mostra que muitas usam a ferramenta como um canal institucional, para exposição de marca e veiculação de notícias sobre a empresa.

Um fato curioso no qual o Twitter teve um papel central foi a morte inesperada de Michael Jackson, mesmo antes da notícia ter sido oficialmente divulgada.  A busca por notícias ou pela confirmação da morte do astro acabou congestionando o site, que chegou a sair do ar. Na ocasião, dos trending topics (ou tópicos mais usado), seis faziam referência ao astro pop.

Médicos também aderiram ao Twitter e já transmitiram cirurgias em tempo real.  Primeiro foi a remoção de um tumor maligno no Hospital Henry Ford (Michigan – USA), para divulgar procedimentos cirúrgicos mais modernos, envolvendo o uso de robôs. Depois, foi a vez do transplante de rim entre pai e filho que ocorreu em maio no hospital Children’s Medical Center (Dallas – USA).

Como fazer o seu Twitter “bombar”?

Em abril, o jornalista Marcelo Tas era um dos recordistas em número de followers – ou seguidores, que é como são chamados os usuários que se inscrevem para receber as micromensagens -, com quase 15 mil seguidores.  Ralphe Manzoni Jr., editor-chefe da empresa Digital Media, em entrevista para a Revista Galileu, disse que para fazer o seu Twitter “bombar” não é tão simples. “Se o objetivo é manter contato apenas com os amigos, as chances de ficar conhecido são pequenas. Mas, se tiver algo a dizer e conseguir com que pessoas influentes o sigam, as possibilidades de você deixar de ser só um anônimo virtual aumentam bastante”.

Os especialistas afirmam que, para fazer sucesso, o conteúdo publicado precisa ser relevante. Se houver interesse e credibilidade nos posts, a pessoa pode se transformar em um formador de opinião.

Mas com a mesma rapidez que o Twitter surgiu como fonte de notícias, também está suscetível a falsos boatos, que envolvem, principalmente, os famosos, com perfis “fakes”.


Sites consultados:

http://g1.globo.com/Noticias/Tecnologia/0,,MUL402571-6174,00-SAIBA+COMO+APROVEITAR+AO+MAXIMO+OS+RECURSOS+DO+TWITTER.html

www.twitterbrasil.org/2008/01/28/tanto-se-fala-sobre-o-twitter-mas-como-usar/

www.time.com/time/business/article/0,8599,1902604,00.html

http://www.bluebus.com.br/show/1/90765/a_time_diz_na_capa_que_o_twitter_vai_mudar_a_maneira_como_vivemos

www.vejaisso.com/2007/12/20/o-que-e-o-twitter-como-usar-e-como-responder/

www.diariodepernambuco.com.br/2009/06/28/economia1_0.asp

http://tecnologia.terra.com.br/interna/0,,OI3857521-EI4802,00-Twitter+pode+ser+a+grande+midia+do+seculo.html

http://info.abril.com.br/noticias/internet/morte-de-michael-jackson-congestiona-twitter-25062009-48.sh

http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL1025899-5603,00-MEDICOS+AMERICANOS+DESCREVEM+CIRURGIA+DE+CANCER+AO+VIVO+VIA+TWITTER.html

http://colunas.epoca.globo.com/bombounaweb/2009/05/18/hospital-transmite-cirurgia-pelo-twitter/comment-page-5/

http://revistagalileu.globo.com/Revista/Galileu/0,,EDG86826-7946-213,00-COMO+FAZER+PARA+O+SEU+TWITTER+BOMBAR+NA+INTERNET.html

www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u599642.shtml

http://ego.globo.com/Gente/Noticias/0,,MUL649092-9798,00-VICTOR+FASANO+E+SURPREENDIDO+POR+TWITTER+FALSO+EM+SEU+NOME.html

Brincadeira de gente grande

Postado em Uncategorized em Agosto 4, 2009 por julifranco

Lembro com certa nostalgia de quando meus colegas de escola se reuniam para jogar RPG. Os Role Playing Games que fizeram sucesso na década de 90, transportavam os jogadores para um mundo de fantasia, que podia ser uma terra medieval, um planeta distante ou um lugar ermo no futuro remoto. A graça do jogo consistia na composição verossímil do personagem, que se transformava em uma espécie de alter-ego do jogador. A historia do jogo era construída de forma colaborativa entre todos os participantes e nunca um grupo era igual ao outro, porque dependia dos jogadores conduzir o roteiro.

Não havia realidade virtual que pudesse acompanhar a mente dos escritores e jogadores, portanto o negocio era mesmo vestir o personagem e imaginar o cenário.

Hoje, os games eletrônicos atingiram um grau de perfeição tal que é difícil não deixar se envolver. Personagem têm características pessoais que podem ser definidas pelo jogador, os cenários são tão realistas que,por exemplo, em jogos de automóveis é possível reconhecer as ruas de determinadas cidades com perfeição e os roteiros são cada vez mais elaborados, muitas vezes mais complexos que o dos filmes do mainstream.

Aliás, a indústria cinematográfica foi uma das maiores beneficiarias da evolução dos games. Hoje, é impossível pensar em um filme infanto-juvenil de Hollywood que não tenha seu lançamento concomitante com o game sobre o mesmo tema. A série Harry Potter é um dos melhores exemplos de sucesso dessa parceria. A EA (Electronic Arts Inc) prevê uma renda de mais de 120 milhões de dólares com as vendas do último game baseado no filme Harry Potter e o Enigma do Príncipe. Para termos a exata noção da importância desse tipo de lançamento, ao adiar a estréia do jogo nas lojas para acompanhar o atraso da produção cinematográfica, a EA viu suas ações caírem 3% em um dia.

A internet trouxe interatividade para todas as atividades que praticamos no computador e é claro que os games não poderiam ficar de fora do processo. Segundo dados publicados no site t-machine, mais de um bilhão de contas de jogadores virtuais foram vista na web em 2008. Esses números se baseiam na quantidade de unique accounts de jogadores registrados em toda a rede. Porém, fica difícil estimar quantas pessoas de fato são representadas por essas contas, já que muitos usuários possuem mais de um login em múltiplos sites de games. Uma conta feita de forma pouco precisa pelo mesmo site fala em 375 milhões de pessoas.

O fato é que, apesar da dificuldade em se chegar a um número preciso quando se trata de uma pesquisa no mundo virtual, onde nem toda identidade corresponde a uma única pessoa, fica claro que os games online atingem uma parte significativa dos usuários de internet e são um fenômeno que não pode ser ignorado.

Dados extraídos do texto “Games e Comunidades Virtuais”, da autora Lucia Santarella deixam claro o poder econômico dessa forma de entretenimento tão típica do terceiro milênio:

Para se ter uma idéia do papel que os jogos eletrônicos estão desempenhando na cultura humana deste início do terceiro milênio, basta dizer que a movimentação financeira de sua indústria é a primeira na área de entretenimento, superior à do cinema, e a terceira no mundo, perdendo apenas para a indústria bélica e a automobilística. No ano de 2003, a indústria dos games faturou cerca de 20 bilhões no mundo, 500 milhões no Brasil, o que representou um crescimento de 19% em relação ao ano anterior (Revista Info Exame apud Nesteriuk 2004). Disso pode-se supor que os games são os grandes estimuladores e responsáveis pelo avanço tecnológico da indústria do entretenimento, aproveitando-se das pesquisas de ponta, ao mesmo tempo que as disponibilizam com grande rapidez.”
Como nota a autora no mesmo texto, ”Games são híbridos porque envolvem programação, roteiro de navegação, design de interface, técnicas de animação, usabilidade,

Da hibridização resulta a natureza intersemiótica dos games, a constelação e intersecção de linguagens ou processos sígnicos que neles se concentram: os jogos tradicionais (como o jogo de cartas, por exemplo) os quadrinhos, os desenhos animados, o cinema, o vídeo e mesmo a televisão. ”.

Talvez seja justamente dessa capacidade de utilizar o que cada linguagem tem de melhor que faça dos games uma ferramenta tão interessante. E dai nasce o questionamento quase obvio: Será que não devemos utilizar tamanha tecnologia, que tem a capacidade de movimentar milhões de pessoas, especialmente jovens, ao redor do mundo, para outras funções que vão alem do lúdico? E quais seriam essas possíveis utilizações?

A partir desse questionamento surgiram games educativos, para explicar epidemias, games de protesto político, games eróticos, treinamentos empresariais feitos em forma de games, dentre outros.

Fica claro que as possibilidades são virtualmente infinitas e o publico só tende a crescer, resta saber se haverá de fato um interesse não só na indústria do entretenimento para que haja investimentos interessantes e capazes de transformar esses   ”brinquedos ” em coisa de gente grande.

 Outras fontes na internet:

http://en.wikipedia.org/wiki/History_of_video_games

http://www.classicgaming.com.br/cgi-bin/vgh/01.asp

http://www.thegameconsole.com/

http://pt.wikipedia.org/wiki/Role-playing_game

http://www.allbusiness.com/company-activities-management/product-management/5273098-1.html

Blogs: fontes de informação e troca de opinião

Postado em Uncategorized em Agosto 3, 2009 por Valéria Batista

Por Valéria Batista

Os usuários ativos da internet somam 625 milhões de pessoas no mundo todo. Segundo a 4ª edição da pesquisa ‘Power to the People‘, da Universal McCann, que ouviu 22,729 usuários ativos de internet em 38 países.

O estudo, com foco na mídia social, diz que quase 63% desses usuários ativos já criaram perfil em alguma rede social, contra 57% na pesquisa anterior (março de 2008). Os que mantêm um blog somam 29,1% (eram 16,9%) contra 71% dos que costumam ler blogs, crescimento pequeno em relação a 2008 (70%).

A pesquisa “The 2009 Women in Social Media Study” apontou que 64% das mulheres nos EUA usam blogs para informação e troca de opinião. Dos 42 milhões de mulheres que estão envolvidas semanalmente com mídia social, 55% participam de atividades em blogs, 75% usam redes sociais como Facebook e MySpace e 20% adotaram o Twitter.

Segundo o estudo, 43% usam blogs também para recomendações e orientações e 55% para troca de opiniões e 45% das usuárias que participaram do estudo indicaram ter comprado um produto depois de ler sobre ele em blogs, que deixaram de ser considerados como meros diários virtuais.

Facilidades da web 2.0

Os grandes portais perderam a importância absoluta com a chegada dos blogs, um novo formato para a circulação de informações.  Poucos são os blogs que possuem milhares ou milhões de leitores. Mas, nem por isso, se pode concluir que é um meio de pouca importância na mídia.

Os blogs reúnem pequenos grupos de amigos ou de pessoas com interesses em comum, geralmente em nichos específicos, segmentados. Os “seguidores” podem interagir deixando comentários e indicando seus próprios blogs para futuras leituras ou mesmo outros que abordem o mesmo tema.

Na primeira geração da Web, os sites eram trabalhados como unidades isoladas. Agora, apresentam estrutura integrada de funcionalidades e conteúdo. Na web 2.0 a publicação passou para a fase de participação: blogs com comentários e sistema de assinaturas (RSS) em vez de páginas estáticas.  O Real Simple Syndication (RSS), conforme cita Alex Primo em “O aspecto relacional das interações na Web 2.0”  ,  é um sistema de assinaturas no qual o internauta pode escolher as  informações que deseja receber automaticamente em seu software agregador (o Google Reader, por exemplo).

Para quem “segue” blogs, em vez de visitar os favoritos todos os dias, em busca de novas informações ou buscar por novos podcasts, este programa faz o download de todos os conteúdos ‘assinados’ que tiveram atualização. “Esse recurso é uma forma de clipping contínuo e automatizado que facilita a atualização do internauta sobre assuntos que lhe interessam, reunindo todas as mensagens em um mesmo local para consulta no momento que mais lhe convier”, explica Primo.

No lugar de álbuns virtuais, por exemplo, usa-se o Flickr. Além de publicar imagens, é possível organizá-las com associações livres. Alex Primo mostra que, como alternativas aos diretórios, enciclopédias online e jornais online, surgem sistemas de organização de informações (del.icio.us e Technorati, por exemplo), enciclopédias escritas colaborativamente (como a Wikipédia) e sites de webjornalismo participativo (como Ohmy News, Wikinews e Slashdot).

Nos textos, em vez do cadastramento de informações como autor e ano de publicação, os internautas podem registrar quaisquer palavras que julgarem estar associadas a certo material (tagging). As tags também facilitam o registro e recuperação de imagens (como no Flickr). Primo chama o processo de “etiquetar” as imagens digitais a partir de livres associações.

O autor usa como exemplo uma foto do pôr-do-sol em uma praia na Tailândia. “Ela pode ser arquivada no site com as tags “praia”,“Tailândia”, mas também “beleza”, “férias” e até mesmo “vermelho”. A partir dessas tags, outro internauta buscando fotos de tons avermelhados para a produção de um site sobre turismo poderá recuperar tal imagem”, revela.

Sites consultados:

Power to the People – wave 4 – www.slideshare.net/Olivier.mermet/universal-mc-cann-wave4

Blue Bus -www.bluebus.com.br/show/1/91608/sao_63_os_usuarios_no_planeta_q_ja_criaram_perfil_em_rede_social e www.bluebus.com.br/show/2/90513/e_as_mulheres_online_usam_blogs_para_informacao_e_troca_de_opiniaosa

The 2009 Women in Social Media Study  - www.blogher.com/files/2009_Compass_BlogHer_Social_Media_Study_042709_FINAL.pdf

The 2009 Women in Social Media Study - http://www6.ufrgs.br/limc/PDFs/web2.pdf

Ninguém segura os Games

Postado em Uncategorized em Julho 21, 2009 por buenobruno

Como artifícios lúdicos com o objetivo de reproduzir a realidade, ou muitas vezes fantasiá-la, os games são capazes de transportar a atenção do individuo do externo, para o “interno”, dentro de uma realidade paralela, virtual, alternativa.

Diferentemente de um entretenimento fictício em que a pessoa se comportam de modo passivo, como assistido um filme ou lendo um livro, jogando um game a pessoa transcende-se para dentro da realidade alternativa participando de forma ativa da ficção.

Dentro do mundo dos games, existe um leque muito grande de possibilidades e objetivos em sua criação. Um game pode ser feito tanto para entreter, como para ensinar. Algo que é utilizado desde os primeiros simuladores de vôo para pilotos de avião, por exemplo.

Seguindo a regra, e como uma forma interativa que pode transmitir informações extremamente relevantes, games online como os “serious games”, ou games ativistas, como alguns o chamam, são a mais nova mania entre os “gamers” (produtores dos jogos eletrônicos). Através deles é possível obter importantes informações sobre problemas que acontecem no mundo de forma interativa, como a gripe suína por exemplo.

Na atualidade, com a Internet e sua grande responsabilidade pela divulgação, interação e aproximação entre os adoradores desse universo, os games estão sendo capazes de alargar as fronteiras da comunicação e do ciberespaço conquistando muita popularidade. Alguns jogos online conquistaram tamanho sucesso que possuem até publicidade em seus domínios. Sites que comportam jogos online (mmogs) como o world wide craft, por exemplo, possuem tantos jogadores que existem inúmeras comunidades virtuais com pessoas presencialmente espalhadas pelo globo. Nela, fazem-se amigos e inimigos. Criam-se fortes relações.

Crescendo de forma desenfreada, com grandes investimentos e com cada vez mais adeptos, os games vem demonstrando não só sua capacidade lúdica de imitação do real, como na sua perfeição de imagens e sons, mas também seu grande potencial em termos industriais. A industria dos games hoje é uma das que mais crescem ao redor do globo, já lidando inclusive com a pirataria, mas mesmo assim, não param de crescer.

Evolução da Internet e crescimento dos blogs.

Postado em Uncategorized com as tags , em Julho 16, 2009 por tamarques

Nos dias de hoje, falar do avanço e do alcance que a Internet tomou em todo o mundo, é de certa maneira fácil, pois há muitos estudos, pesquisas e muito se fala sobre o assunto. Afinal, a Internet cresceu rapidamente e ninguém esperava tamanho crescimento e domínio de mercado. Só que uma grande parcela da população, ainda não tem acesso a uma boa rede, e muitos nem sabe de sua existência.
Segundo Castells: “Todo mundo deveria ter direito a utilizar a Internet e ninguém deveria ser penalizado por questões de geografia ou de dinheiro. Além disso, há outros elementos que fazem com que a divisão digital subsista. Um deles é a velocidade na Internet, e outro é a forma como aqueles que estão no ciberespaço dão forma à Web segundo sua própria imagem. Quanto mais a democratização da Internet demorar, mais a Web se desenvolverá em torno de valores que não são aqueles do conjunto da sociedade. O desenvolvimento da Web, que era exponencial, encontra nessa realidade o seu limite.”.
Mas como explicar tudo isso desde o começo? Uma das maneiras é falar do Capitalismo, que é um modelo econômico utilizado até hoje, mas com grandes reformulações tecnológicas e que tem grande influência na sociedade de hoje.
Atualmente, a rede domina todos os meios e é uma grande fonte de troca de informações. Nela se vende objetos, há comunicação entre pessoas à longa distância, e muitas outras coisas, e já não se pode mais fugir desse patamar.
Não se pode negar o avanço e os números mostram isso, o IBOPE Nielsen Online, que mede regularmente a navegação em residências no Brasil desde setembro de 2001, apresenta os resultados da medição da internet também no local de trabalho. O número de pessoas com acesso à internet em casa ou no trabalho é de 44,5 milhões de pessoas. Dessas, 34,5 milhões usaram a internet em maio de 2009 em pelo menos um desses dois ambientes.
O tempo de navegação do brasileiro, considerando os dois ambientes, foi de 40 horas e 41 minutos em abril, esse tempo mantém o Brasil na liderança também quando se junta à navegação residencial com a do trabalho, segundo o site Ibope.
Com tantos acessos e cobertura sobre a rede, uma outra mídia que vem crescendo muito, que é uma fonte de informação, de mostrar trabalhos, etc, entre anônimos, famosos, jornalistas, são os blogs, que é um diário online em que você publica histórias, idéias e imagens, no qual é atualizado quase que diariamente.
O Blogger está completando 10 anos e o Google, dono do serviço desde 2003, divulgou alguns dados sobre seu uso. Segundo dados da internet, Rick Klaus, diretor executivo do Blogger.com, o Brasil já é o segundo país em número de blogs e perde apenas para os Estados Unidos. Em seguida aparecem: Turquia, Espanha, Canadá e Reino Unido, respectivamente. Por minuto, 270 mil palavras são postadas no Blogger.com.
Esse crescimento retrata que as pessoas querem mostrar e divulgar suas opiniões e lançar que todos devem expressar e usar nossa liberdade de expressão, para provar que ainda estamos em busca de coisas melhores para nosso país e nossas vidas. Esses blogs são uma grande descoberta para entendermos os acontecimentos diários, pois em cada um, há opiniões divergentes, que causam boas discussões.

Referências:

http://www.osnumerosdainternet.com.br/

http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&q=o+que+%C3%A9+blog&meta

http://www.ime.usp.br/~cesar/projects/lowtech/poderdaidentidade/main.htm

Texto dado em sala de aula.

A transformação do conceito de esfera pública

Postado em Uncategorized com as tags , em Julho 7, 2009 por amandacoliveira

A revolução informacional em curso atualmente vem transformando a estrutura da sociedade ao mudar os hábitos dos indivíduos em todas as esferas: jurídica, política, social, econômica e cultural. Diante desta situação, é necessário pensar a respeito dos conceitos utilizados até hoje para descrever os fenômenos e fatos sociais.

Um dos conceitos que os pesquisadores da cibercultura vêm analisando dentro do novo contexto informacional é o de esfera pública. O termo foi descrito na década de 1960 por Jürgen Habermas como as discussões feitas livremente por indivíduos que se unem para pensar e debater questões públicas. Basicamente, Habermas defendia que para a existência da esfera pública é preciso que os indivíduos estejam presencialmente unidos, em uma interação face a face. E, além disso, que os jornais são elementos importantes e essenciais para a definição dos assuntos a serem debatidos e para a constituição da esfera pública.

Para o teórico, os jornais exercem o papel de dar o material necessário para que os cidadãos discutam não apenas os assuntos públicos, mas também levantem questões relativas a eles próprios, por meio da leitura e discussão de seções como as cartas dos leitores.

Os resultados dos debates da esfera pública, segunda Habermas, têm o poder de influenciar os formadores de opinião e a tomada de decisão do poder público.

Outro ponto importante da teoria de Habermas que influencia os estudos sobre a esfera pública na era da informação é a teoria da ação comunicativa, na qual ele diz que a sociedade é estruturada comunicacionalmente e que não é apenas a razão instrumental que deve ser levada em conta para explicar os fenômenos sociais. Existem duas partes que constituem a sociedade: o sistema e o mundo da vida. O primeiro representa tudo o que é regido pela razão instrumental e pela reprodução material e o segundo é onde o que prevalece é a linguagem, o entendimento e a comunicação. É nesse espaço que as discussões e interações que dão incício à esfera pública emergem.

Com a Internet, outros elementos devem ser levados em conta para a análise da esfera pública. As discussões não-presenciais e mediadas por computadores, por exemplo, vão contra o que Habermas dizia ser fundamental para as discussões: o contato presencial. Mark Poster observa essa situação em seu texto Ciberdemocracia: A Internet e a Esfera Pública:

“Para Habermas, a esfera pública é um espaço homogêneo de sujeitos personificados em relações simétricas, perseguindo consenso através da crítica de argumentos e a apresentação de afirmações válidas. Esse modelo, eu afirmo, é sistematicamente negado nas arenas da política eletrônica. Nós estamos aconselhando então que o conceito de esfera pública de Habermas, que classifica a Internet como um domínio político, seja abandonado”.

Ainda assim Poster reconhece que as comunidades virtuais desempenham de certa forma o papel da esfera pública de Habermas ao funcionarem como espaços de ruptura, contestação e resistência, uma vez que geralmente não hierarquizam seus membros, ainda que no “mundo real” os participantes apresentem diferenças de classe social ou gênero.

Outro autor que trata da questão da esfera pública na era da Internet é Yochai Benkler. O foco do sétimo capítulo de seu livro The wealth of networks é contrapor a esfera pública construída em uma sociedade de massa e a atual, que existe na era da informação. Para ele existem dois elementos que diferenciam a economia baseada nos meios de comunicação de massa e contemporânea, baseada nos meios digitais: a arquitetura descentralizada da rede e o baixo custo para se tornar um produtor de conteúdo. Juntas, estas condições alteraram a capacidade dos indivíduos de participarem ativamente da esfera pública.

Essa situação faz com que a esfera pública mude substancialmente e na opinião de Benkler, para melhor. Entre as principais características da esfera pública “interconectada” estão: maior resistência ao controle monetário e financeiro e menor suscetibilidade à orientação pelo senso comum, que os meios de comunicação de massa adotam. Consequentemente, cria-se um “ambiente” mais democrático e uma esfera pública liberal.

O conceito de esfera pública vem sendo utilizado de diversas maneiras e por vários autores, o que demonstra importância e preocupação com a definição do que realmente a esfera pública representa nos dias de hoje e qual seu papel na construção da política e da democracia. E como em todos os campos do conhecimento humano existem divergências de visões e diversos lados defendendo cada um, uma posição. Independentemente disso, o fato é que a revolução informacional é uma realidade que está transformando o espaço de discussões políticas dos cidadãos. E todas as discussões são necessárias, a fim de repensar a esfera pública e incluir em sua definição os novos elementos presentes na sociedade.

Bibliografia

BENKLER, Yochai. The wealth of networks: how social production transforms markets and freedom. Disponível em: http://www.benkler.org/wealth_of_networks/index.php?title=Download_PDFs_of_the_book. Acesso em 06 de julho de 2009.

GONÇALVES, Maria Augusta Salin. Teoria da ação comunicativa de Habermas: Possibilidades de uma ação educativa de cunho interdisciplinar na escola.Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/es/v20n66/v20n66a6.pdf. Acesso em 06 de julho de 2009.

POSTER, Mark. Ciberdemocracia: A Internet e a Esfera Pública. Disponível: http://members.fortunecity.com/cibercultura/vol13/vol13_markposter.htm. Acesso em 06 de julho de 2009.

SILVA, Filipe Carreira da. Habermas e a esfera pública: reconstruindo a história de uma ideia. Disponível em: http://www.scielo.oces.mctes.pt/pdf/spp/n35/n35a05.pdf. Acesso em 06 de julho de 2009.

WIKIPEDIA. Jünger Habermas. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Jürgen_Habermas. Acesso em 07 de julho de 2009.

Para quem interessa a patente?

Postado em Uncategorized em Julho 7, 2009 por Vinicius Dalvi

O conceito de propriedade se desdobra por dezenas de séculos na história da humanidade. O direito de ter um bem físico ou uma propriedade, entre outras coisas, é antigo. No entanto, a partir da revolução industrial foi se consolidado um novo modelo de apropriação: a propriedade intelectual, sobre uma idéia.

O direito de propriedade sobre algo garante o privilégio de explorar como único detentor de determinados atributos; podendo, entre outras coisas, comercializar e, até reter, sem que ninguém possa ter acesso.

Em relação à propriedade intelectual, ela pode ter existido de maneira arcaica há séculos; contudo, a partir da revolução industrial que ela se desenvolveu e se firmando como um bem, similar ao bem físico. Seu crescimento foi acompanhando a consolidação do mercado capitalista.

Com o estabelecimento do sistema capitalista e do comércio globalizado, a propriedade da idéia é um conceito previsto pela Organização Mundial de Comercio, a OMC, e possui direitos e forma de comercialização parecida com bens de consumo como arroz, carne e carros. Portanto, o “criador”, desde um medicamento até uma obra cultural, tem o monopólio e o direito, assegurado pelo estado, de explorar comercialmente a sua “criação”.

No entanto, esse direito interfere além do acesso às obras culturais e softwares, podendo dificultar o acesso a medicamentos de pessoas em  tratamento de enfermidades: desde doenças consideradas menos graves a AIDS, que tem dizimado comunidades africanas nas últimas décadas.

Para Lawrence Lessing [2004], a utilização dos mecanismos de copyright tem colaborado para o aumento das mortes em países subdesenvolvidos, mortes que poderiam ser evitadas se o acesso a medicamentos não fosse mediada pela patente.

“Haverá um momento, daqui a 30 anos, em que nossos filhos vão olhar para traz e nos perguntar, ´como é que deixamos isso acontecer?´. Como pudemos permitir que fosse levada a cabo essa política cujo custo direto seria a aceleração da morte de 15 a 30 milhoes de africanos, e cujo único beneficio seria preservar a inviolabilidade de uma idéia? Que justificativa poderia existir ara uma política que resulta em tantas mortes? (LESSIG, LAWRENCE, p.256. 2004)

A mesma essência da regulamentação é aplicada sobre os bens culturais tais como livros, músicas, filmes; estendendo-se inclusive para software e outros domínios sobre idéias.

Hoje a indústria cultural vive uma das maiores crises de sua história, agravada pela falha do sistema de copyright. Com o advento da internet e, consequentemente, da web, que traz no seu cerne a cultura hacker de compartilhamento, trouxe um concorrente que essa indústria não consegue lidar até então: a troca livre e instantânea de informações, de bits.

“Uma política sensata seria uma política equilibrada. Na maior parte de nossa história, tanto políticas de copyright e de patentes foram equilibradas justamente neste sentido. Mas nós, como cultura, perdemos esse equilíbrio. Perdemos o olhar crítico que nos ajuda a ver a diferença entre a verdade e o extremismo. Agora, de maneira bizarra, reina em nossa cultura um certo fundamentalismo da propriedade.” (LESSIG, LAWRENCE, p.256. 2004)

O radicalismo da industrial cultural ao exercer o domínio sobre o bem cultural fez com que a oportunidade proporcionada pela internet de livre troca de informações entre usuários derrubasse rapidamente esta indústria, que hoje tenta se recolocar nessa nova realidade, a virtual, mas sem sucesso. Além de tentar trazer para a rede o mesmo controle que pratica com o bem físico.

O Conflito entre o jornalismo e o conteúdo colaborativo

Postado em Uncategorized em Julho 6, 2009 por Vinicius Dalvi

O surgimento e a popularização da internet levantaram questionamentos sobre os paradigmas do exercício da profissão de jornalista, como, também, sobre o conteúdo produzido por esses profissionais. Contudo, as novas formas e tecnologias de produção de informação estão sendo apropriadas pelo jornalismo tradicional, criando desdobramentos.

Ferramentas de comunicação na internet, como blogs, mídias sociais e outros instrumentos capazes de transmitir e compartilhar facilmente informações com outras pessoas estão no ápice de uma discussão que aplica a esses o título de jornalismo.

A internet ainda é um meio de comunicação canibalista [COSTA, Caio Túlio. 2006], sobrevive de replicação das informações produzidas pelas mídias tradicionais.

“Se consome no computador as reproduções exatas de títulos, textos, fotos, vídeos… No máximo, os conteúdos ganham algum complemento e mais extensão – as entrevistas podem aparecer na íntegra; as gravações podem ficar sem cortes – porque na internet o espaço é mais barato, comparado ao papel na imprensa, e custa do que o minuto na TV” (COSTA, Caio Túlio. 2006).

Contudo, está mudando rapidamente esta realidade canibalista. Além de ter profissionais trabalhando para abastecer somente a grande rede com informações, estrutura parecida com as redações para conteúdos impressos ou televisivos, só que adaptado para internet. No entanto, uma nova forma de produção de informação está tomando força na internet: a colaborativa.

Segundo Pierre Levy (1999), o ciberespaço possui um conglomerado de conteúdos conectados entre si, mas não organizado criteriosamente; além de também trazer para a plataforma virtual extensões das características do conhecimento da realidade física. “O ciberespaço suporta tecnologias intelectuais que ampliam, exteriorizam e alteram muitas funções cognitivas humanas: a memória (banco de dados, hipertextos, fichários digitais [núméricos] de todas as ordens), a imaginação (simulações), a percepção (sensores digitais, telepresença, realidades virtuais), os raciocínios (inteligência artificial, modelização de fenômenos complexos)”, define Levy.

Formas marginais – à margem – de produção de informação como posts e mídias sociais – descentralizada e independente – conquistaram certo prestígio, principalmente, pelo dinamismo com que elas são publicadas e pelo colaborativismo que elas possibilitam. Dessa forma, tanto esses produtores de conteúdo online buscam um reconhecimento de jornalistas e alguns veículos procuram também apropriar essas linguagens como parte do jornalismo.

Mas a grande problemática de atrelar essas novas formas de produção online, e ainda as formas que hão de vir, está na vinculação de novos processos produtivos de informação a um sistema viciado de pragmatismo e de regras anacrônicas.

Centralizar ferramentas com essências inerentes tão opostas as dos meios de comunicação tradicionais, traria um choque e esvaziaria o significado dessas tecnologias. Ou seja, considerar blogs, twitter, redes sociais como ferramentas com cunho jornalístico atrapalharia o processo colaborativo dele. Não é necessário seguir as primícias jornalísticas, para que uma informação tenha a credibilidade que precisa.

A web desenvolve sua própria forma de auto-regulação e os próprios usuários criam critérios de auto-organização a partir do aperfeiçoamento que naturalmente acontece a partir da sua navegação no ciberespaço, remetendo à própria origem da web. Portanto, possivelmente os critérios jornalísticos que garantem “eficiência” no seu processo informacional podem não ser eficazes na internet, já que marginalmente existem métodos inerentes a esta nova mídia: a reputação.

A perpetuação de métodos tão exclusivos de uma ciência – como é o jornalismo – na web pode trazer vícios já ultrapassados na própria arquitetura do ciberespaço, a descentralização.