Reorganize-se ou morra

Por Juliana Petrilli

“Reorganize-se ou morra”, é isso que o mercado vem dizendo de forma cada vez mais contundente às empresas no mundo todo. Hoje ainda vemos empresas que tentam nadar contra a corrente, organizações que independentemente de seu tamanho e trajetória, ainda tentam segurar suas ultrapassadas estruturas de maneira unilateral e controladora a todo custo. Mas até que ponto essas engrenagens enferrujadas podem resistir vivendo na sociedade como a conhecemos nos dias atuais?

A interligação entre pessoas atualmente possível através de tecnologias como a internet, encontrada nas mais diversas partes da sociedade, faz com que a troca de experiência e conhecimento se torne algo muito forte e dinâmico. Na rede os fluxos de informação constroem de forma incrivelmente rápida, novos caminhos antes difíceis de serem trilhados. O espectador se transforma em co-autor deixando de ser passivo para se tornar parte integrante do processo de criação e aperfeiçoamento.

Em seu livro Cibercultura, o pensador Pierre Lévy defende a reestruturação da sociedade que se faz necessária dentro deste novo panorama. “Assim como o cinema não substituiu o teatro mas constituiu um gênero com sua tradição e seus códigos originais, os gêneros emergentes da cibercultura como a música tecno ou os mundos virtuais não substituirão os antigos. Irão acrescentar-se ao patrimônio da civilização enquanto reorganizam, simultaneamente, a economia da comunicação e o sistema das artes”. (Lévy, Pierre. 1999: 137)

Em Prometeus-The Media Revolution, podemos visualizar de forma mais clara algumas das mudanças e reestruturações das quais falamos.

Porém é importante frisar que o vídeo trata a questão das mudanças de forma diferente de Lévy que acredita na co-existência das tecnologias e manifestações, tanto artísticas como econômicas e sociais.

Tais transformações, presentes também na teoria de outros pensadores como Manuel Castells, desenham para nós um cenário de multiplicidade e interpenetração no qual temos mais de um papel. Em seu texto, A Galáxia da Internet , Castells conta por exemplo, a história da criação do sistema operacional Linux que em 1991 foi inicialmente desenvolvido pelo estudante Linus Torvalds na Universidade de Helsinki. Construído tendo como base o sistema UNIX, o Linux foi distribuído na internet intencionalmente para que através do contato com outros usuários pudesse ser melhorado, atendendo desta forma um número cada vez maior de pessoas e suas necessidades específicas. Sendo constantemente aperfeiçoado o Linux é atualmente onsiderado por muitos como um dos sistemas operacionais mais avançados do mundo, especialmente para a computação baseada na internet.

Seguindo essa tendência de uma sociedade questionadora, cada vez mais envolvida no processo de criação e desenvolvimento como um todo, em abril de 1999 nasce o Manifesto Cluetrain, um instrumento criado por Chris Locke, Doc Searls, David Weiberger e Rick Levine lançado via internet para o mundo todo. Seu principal objetivo está em dar voz ao “consumidor”, fazer com que suas necessidades sejam realmente ouvidas e atendidas sem maiores delongas. De acordo com o manifesto, o diálogo falho de muitas organizações criou através do tempo um enorme e inegável desgaste entre empresas e seu público.

Ao todo, 95 teses integram o manifesto que recebe apoio de signatários de todas as partes do planeta. Entre suas declarações estão: “Empresas que não pertencem a uma comunidade de diálogo irão morrer” e “a Internet está permitindo conversações entre seres humanos que simplesmente não eram possíveis na era da mídia de massa”. Para o autor do livro Futurize Your Enterprise, David Siegel, o Manifesto Cluetrain é leitura obrigatória para o novo milênio. Siegel diz que o manifesto faz com que questionemos tudo que estamos fazendo online.

Não há portanto como continuarmos com as engrenagens antigas de um sistema pré-existente. A reestruturação passou a ser fundamental para a sobrevivência, segundo o próprio item 32 do Manifesto diz, “mercados inteligentes irão achar fornecedores que falam sua própria língua”.

 

Livros

LÉVY, Pierre. Cibercultura. Editora 34. http://www.moodle.ufba.br/file.php/8897/levy_cibercultura.pdf

CASTELLS, Manuel. A galáxia da internet: reflexões sobre a internet, os negócios e a sociedade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2003.

Sites

Vídeo Prometeus – The Media Revolution. http://www.youtube.com/watch?v=xj8ZadKgdC0  Acesso em 26/05/09.  

Manifesto Cluetrain – http://www.cluetrain.com/portuguese/index.html Acesso em 2/06/09.  

Livro Futurize Your Enterprise: http://www.amazon.com/exec/obidos/ASIN/0471357634/entropygradientr# Acesso em 2/06/09.

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